Como é definido o preço do Registro Federativo?

15/1/2019 | O assunto preço é complexo e requer seriedade para defini-lo.

A definição correta do preço de venda de produtos como Registro Federativo, inscrições em provas, Taxas e Emolumentos é fator determinante para o sucesso de qualquer entidade em um mercado competitivo. Porém, este é um assunto que causa muitas dúvidas para todos, tanto dirigentes quanto atletas, principalmente os de primeira viagem. A formação do preço de venda de um produto ou serviço não é algo que pode ser criado de qualquer maneira, sem uma lógica a ser seguida. É preciso considerar os objetivos da instituição e o seu público, no caso, os atuais e futuros triatletas.

O primeiro passo é entender a definição de "preço de venda".

Segundo o Sebrae: PREÇO DE VENDA É O VALOR QUE DEVERÁ COBRIR O CUSTO DIRETO DA MERCADORIA, PRODUTO OU SERVIÇO, AS DESPESAS VARIÁVEIS (COMO IMPOSTOS E COMISSÕES), AS DESPESAS FIXAS PROPORCIONAIS (COMO ALUGUEL, ÁGUA, LUZ e TELEFONE), ALÉM DE PERMITIR A OBTENÇÃO DE UM LUCRO LÍQUIDO ADEQUADO.

Além do aspecto financeiro, a definição do preço de venda do registro federativo deve levar em conta diversos outros aspectos. Os objetivos da instituição e o seu planejamento de ações e posicionamento, são peculiares de cada entidade e por este motivo, não se deve comparar apenas o quesito monetário, quando se compara um preço.

Por se tratar de uma instituição sem finalidade lucrativa, o preço de seus produtos, tem como princípio ser o menor possível, porém, precisa ser responsável e estar de acordo com o planejamento, para não criar um colapso financeiro e deixar a instituição fadada a extinção.

Para ir direto ao assunto, podemos destrinchar e tentar entender o preço do Registro Federativo da Febatri. Para isso, é importante entender o contexto em que a Febatri e o triathlon estão inseridos.

Um pouco de história

A Febatri é uma das entidades do triathlon brasileiro mais antigas. A data de sua fundação é anterior a data de fundação da Cbtri. A Febatri é histórica e já teve uma grandiosa representatividade no cenário nacional, seja numericamente, com a quantidade de atletas participantes e também qualitativamente, com seus atletas conquistando diversas competições.

Mesmo com a história a seu favor, estes números sofreram uma considerável queda. A participação do público nas provas estaduais, também passou e está passando por um momento de redefinições.

Participação de Baianos na Copa Brasil 2018

Salvador - 106 triatletas baianos
Floripa - 11 Triatletas baianos
Palmas - 11 Triatletas baianos
Etapa Sul - 1 Triatleta baiano
Vila Velha - 7 Triatletas baianos
Brasília - 11 Triatletas baianos

A participação dos triatletas baianos em provas para o ranking nacional está muito baixo. Por outro lado, provas nacionais ou internacionais particulares, estes números aumentam. É um comportamento a ser estudado. Uma possível conclusão é que provas com maior custo,  maior entrega e maiores distâncias, tem atraído mais os atletas baianos. Esta conclusão estaria correta? Fica a dúvida.

O Triathlon da Bahia está em um momento crucial. Com mudanças em diversos aspectos e através da análise dos últimos números, já se pode ver uma importante alteração na perspectiva. Para mudar é necessário fazer algo a mais e ainda melhor do que já se faz. É esse algo a mais e melhor para todos os atletas, que precisará ser buscado para retomar o crescimento e a representatividade do Triathlon da Bahia.

Um dos símbolos deste momento de mudanças é a abordagem que está sendo dada a estratégia do Registro Federativo e o relacionamento com público. Em 2018 houve a inovação no registro federativo com a inclusão do clube de descontos em lojas parceiras, além de ter sido oferecido uma outra opção que dava direito a ganhar um tênis esportivo. Já com o relacionamento com o público, foi criada reuniões presenciais e virtuais, mas ainda com pouca adesão. Mesmo assim, já mostrou mudanças, principalmente na importância de ver o Triathlon muito mais do que um esporte, mas também como vetor de desenvolvimento social.

Como estamos no começo do ano e o primeiro produto/serviço a ser oferecido pela Federação é o registro federativo, vamos utilizá-lo como exemplo para entender a formação do seu preço.

O preço do registro federativo é composto da seguinte forma:
Valor de venda = Taxa CBtri + Taxa Comercial + Taxa Federação

A seguir, os planos de preços dos Registros Federativos 2019 utilizados pelas federações de Triathlon do Brasil: 

Plano A
Valor R$60 = R$50 (Cbtri) + R$4,80 (Taxa comercial) + R$5,20 (Taxa Federação) 

Plano B
Valor R$120 = R$50 (Cbtri) + R$9,60 (Taxa comercial) + R$60,40 (Taxa Federação) 

Plano C
Valor R$165 = R$50 (Cbtri) + R$13,20 (Taxa comercial) + R$101,80 (Taxa Federação) 

Plano D
Valor R$190 = R$50 (Cbtri) + R$15,20 (Taxa comercial) + R$124,80 (Taxa Federação) 

Plano E
Valor R$250 = R$50 (Cbtri) + R$20,00 (Taxa comercial) + R$170,00 (Taxa Federação) 

Plano F
Valor R$275 = R$50 (Cbtri) + R$22,00 (Taxa comercial) + R$203,00 (Taxa Federação) 


Quantidade (X) de federações por plano de preço:

Plano A (1)
Plano B (1)
Plano C (18)
Plano D (1)
Plano E (2)
Plano F (1)

A Febatri escolheu 2 opções, o valor similar ao plano C para um tipo de registro e o valor do plano E para o outro tipo de registro. 

Além de entender a formação do preço, é fundamental entender a justificativa do mesmo, para então, podermos julgar se achamos que o valor está caro, justo ou barato. 

Afinal o que é caro, justo ou barato? Isso dependerá da justificativa do preço e da sua percepção pessoal sobre o mesmo. A percepção de caro é quando o que estamos pagando é inferior ao que estamos recebendo. O preço justo é quando temos a sensação de que estamos recebendo algo exatamente por aquilo que estamos pagando, e o barato, é quando temos a percepção de que estamos recebendo muito mais do que estamos pagando.

Para considerar um registro federativo como caro, justo ou barato, é preciso conhecer o que está se comprando, seus benefícios e a finalidade do mesmo. Para isso é preciso que o atleta participe de forma ativa das reuniões, encontros e/ou pesquisas da instituição, solicite informações e esclarecimentos quando necessário e acompanhe as atividades através dos meios oficiais de comunicação da entidade.

A Febatri possui o registro de pouco mais de 800 triatletas. Deste universo, em 2018, apenas 247 fizeram o registro federativo e finalizando o ano com média de inscritos de 125 por etapa. Mesmo considerando uma média baixa, para o potencial que a Bahia possui, muitas outras provas de federações e até mesmo da Cbtri não tiveram esta média de atletas.

Os cálculos para a projeção orçamentária de 2019 são feitos com a expectativa conservadora de 200 atletas, mas a estratégia de marketing a ser adotada é feita para conseguir muito mais do que isso. Afinal, potencial existe.

Em 2018 algumas ações previstas, infelizmente não foram executadas em parte ou em sua totalidade, como por exemplo a premiação pecuniária para os atletas de Elite e as provas de Aquathlon e Triathlon Olímpico. Como não houve patrocínio para estas provas e a Febatri não possuía fluxo de caixa suficiente para arriscar fazê-las, optou-se pelo seu cancelamento. Já sobre a premiação, foi possível apenas isentar a taxa de inscrição dos campeões da etapa.

Para que isso não se repita em 2019, foi feito um estudo e chegou-se a um formato com três opções de provas, sendo uma delas específica para casos em que não exista um patrocinador e a prova deverá ser realizada apenas com a receita de inscrições. Provas assim serão consideradas como um plano de contingência, e antes de serem feitas, serão amplamente debatidas com os atletas, para que sejam evitadas falsas expectativas. Em caso de concordância entre os atletas, a prova nessas circunstâncias, será realizada em um formato básico.

Com as informações acima já é possível entender a complexidade que é a precificação de um produto, serviço e principalmente de um registro federativo. Por isso, sempre que possível, busque as informações e as analise, antes de julgar um preço caro, justo ou barato.

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